sexta-feira, 7 de março de 2014

A quem interessar possa

VERGONHA DE SER HONESTO
De Barbosa para Barbosa


Há tempos venho me expressando no Facebook (https://www.facebook.com/luiz079) sobre as facetas, máscaras e caretas que possui esse partido que hoje governa nosso país. Muito mais do que uma forma de mostrar minha indignação sobre essa baderna que se transformou nossa Nação, minha intensão sempre foi e será a de alertar meus amigos e amigos de meus amigos sobre isso que os entendidos de política (obviamente que não o sou) chamam de APARELHAMENTO ESTATAL. 

Outro dia li atentamente uma matéria sobre essa questão e, resumidamente, pude concluir que se trata de um verdadeiro TOPA TUDO POR DINHEIRO. Verdade! Foi essa a conclusão que cheguei. Se não podem convencer pela diplomacia, pela boa e refinada democracia, pelo exemplo (esse então é que não podem mesmo), apelam para o BOLSO. Esse sim, o grande e temido, se não obcecado, alvo de tudo que permeia a vida do ser humano e que fez desse Partido Vermelho o alvo preferido para atingir, assegurar e garantir seus sonhos de permanência eterna no poder (puxa, como são sonhadores). 

Se de um lado é temido, já que ao ser profanado, afanado ou diminuído o seu conteúdo, a reação ruidosa e até violenta é imediata, do outro é louvado, buscado e visado sob tudo quanto é meio, maneira e caminho. Seu objetivo é e sempre será a avareza pública, o enriquecimento, mesmo que ilícito, rasgando leis e locupletando sempre, não mporta por quais trilhas, destinos ou caminhos seguirem.

Prova disso está bem explicado no texto do escritor e blogueiro da Revista Veja, Reinaldo Azevedo, em sua brilhante explanação intitulada "A ruína causada pelo aparelhamento do Estado" (http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/a-ruina-causada-pelo-aparelhamento-do-estado/ que sugiro a leitura) onde extraí as seguintes frases que resumem bem o acima aludido: "Maria Celina revela em seu livro que os integrantes das carreiras públicas no Brasil, ao contrário dos trabalhadores da iniciativa privada, são majoritariamente filiados a sindicatos. Entre os funcionários públicos federais mais bem pagos, a pesquisadora encontrou 45% de ativistas sindicais e, entre eles, 82% de filiados ao PT..." 

Ao ler a matéria do Blog referenciado, vocês certamente me darão razão. Penso assim, obviamente. Novamente sugiro a lerem a mencionada publicação.

Diante dessa leitura, me veio ao pensamento e com ele a inspiração para a confecção desse teor digitalizado, uma das grandes frases, se não a maior, já mencionada pelo escritor brasileiro Rui Barbosa, que além desse seu atributo, de destaque mundialmente reconhecido, também foi advogado, jornalista, jurista, político, diplomata, ensaísta e orador (uuufaa). Percebendo e fazendo a exata leitura do ambiente em que estava rodeado, já naquela época, (comparações com o dia de hoje NÃO são meras coincidências) afirmou com uma lucides grandemente recheada de profundo acerto e de uma veracidade espantosa para o período em que viveu, mas que de tão profética, se aplica perfeitamente aos dias atuais:


“De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto.”                                                                                                                                                              Rui Barbosa 

quinta-feira, 6 de março de 2014

Meu santo dia!

Não que eu seja um revoltado com a atual situação governamental por que passa nossa amada pátria, posto que, na minha humilde opinião, muitos outros amigos e pessoas desse Brasil Varonil o sejam e também estão na mesma sensação por mim vivida e vivenciada.

Nesta minha particular visão pessimista sobre a realidade da nossa Pátria, leio e releio tudo que encontro na internet relativamente ao que hoje chamo de ESTADO DESGOVERNADO.

Claro está que falta algo. Falta esforço de todos e por todos os lados. Falta reação. Falta indignação. Falta conscientização. Falta ação. Falta apego ao patriotismo, que há tempos vem sendo dilacerado por medidas, a meu ver equivocadas e evidentemente interesseiras, de um Governo que não quer ver seu povo defendendo a pátria em que vive, que não quer ver seus jovens cada dia mais bem formados, mais bem preparados, mais bem informados. Qual Governo DITADOR quer isso?

Mas, como disse, nessas minhas andanças e caminhadas pela vasta imensidão de um mundo interminável que é a internet, deparei dia desses com um texto, num dos blogs da vida, que reflete, nos faz refletir e, e principalmente, nos questiona sobre a medida perfeita do que ainda não tinha parado para pensar.

"Por que as Forças Armadas estão assim?"

Esse é exatamente o título do Blog (*).

A medida em que ia dilacerando as diversas linhas e entrelinhas que compõe o texto do autor Ricardo Setti, percebia que ele está é, de fato, coberto de razão em suas asserções, já que convivi tanto tempo com o que ele desbravava com tanta clareza sobre o âmago das casernas militares.

Citou o nome de um político que me recuso veementemente mencionar no meu Blog. Afinal de contas o Blog é meu (rsrs), mas que, infelizmente, tenho que concordar com o dito cujo melequento.

Sua frase me fez refletir sobre o que de fato acontece na caserna. Nós militares nos contentamos com o pouco, com as migalhas, com tudo um pouquinho, com tudo em partes, com tudo pela metade, com tudo regrado. Na verdade, até hoje corre nas entranhas das velhas e novas gerações, pois que isso é quase que uma hereditariedade sem confrontações e raízes familiares, de que "quem entra na PM (aqui avulto para as Forças Armadas) deve se contentar em não ficar rico".

Frase exata que concordo e não discuto, pois que ninguém que se atreve, se arrisca e se aventura em ser assalariado irá um dia se tornar rico, na sua forma expressiva voltada para o materialismo!

Mas disso colocado, afora a visão materializada do se tornar opulento, falta a ânsia da "riqueza", que muito além de ser vista sob um só prisma, assimilação e percepção do que lhe compõe a tradução de bens materiais, deveria ser buscada, arraigada, cultivada na passagem rápida dos tempos e internalizada na genética moral de cada integrante dessas mesmas Forças, como algo bem maior do que acabo de me referir.

Deveria então ser uma procura, uma obsessão, um foco, um sentimento e um objetivo intransigente e inabalável do que lhe causa conforto, prazer de estar onde lhe é mandado estar. Deveria ser a busca da "RIQUEZA PRAZEROSA".

E isso, como disse antes, por ter vivido, convivido e ainda vivenciando o que é a nossa realidade, foi expressada com uma clarividência tão cristalina e perfeita do autor daquele Blog e de uma forma tão exata, que me pareceu ser ele também um integrante (ou não sei se um ex-integrante), das fileiras militares, já que narrou com extrema felicidade, infelizmente, o que de fato ocorre junto ao sentimento Militar (e policial militar na sua exata extensão).

Cito, com a devida solicitação de permissão do autor referido, uma de suas brilhantes conclusões sobre a vida da caserna, que reafirmo, ilustra com maestria o que nós vemos no nosso dia a dia:

"Outra explicação, consequência da primeira, é a acomodação com a miséria. Estamos precariamente aparelhados, equipados e nos acostumamos a cumprir a missão dessa forma. Nossos hotéis de trânsito são ruins e nossas moradias são acanhadas porque incorporamos esse modo acochambrado de viver, afinal somos militares e militar não pode ter conforto."

Esse parágrafo foi o que tanto me chamou a atenção sobre as escritas criticamente certas de Ricardo Setti, apesar de que o seu texto tocou em outras feridas igualmente latentes aos olhos do mundo em geral, que por razões obvias de ausência absoluta de interesse e convívio, não buscam saber sobre elas.

Essa ideologia sempre foi propagandeada entre nós e nos acostumamos com a exiguidade de conforto e enraizamos isso em nossos mais expressivos e também inexpressivos comentários, mesmo que de forma inconsciente.

Por que será que temos hotéis de trânsito ruins, ou pelo menos eles não os são como deveriam ser se exigíssemos que fossem?

E por que a maioria das moradias de policiais militares, e extensivo aos militares, são acochambrados em seu modo de viver?

Mas a grande pergunta que fica e que me motivou a dar início a esse novo texto de meu Blog foi EXATAMENTE o questionamento que também estimulou Ricardo a escrever o seu documento digital.

"Por que as Forças Armadas estão assim?" e num mesmo compasso vem outra (ou seria a mesma?) indagação:

"Por que as Polícias Militares estão assim?"

Me arrisco a dizer, a afirmar, e sei que encontrarei críticas, (acredite, elas serão muito bem vindas) é porque de fato nós temos que concordar com o iluminado Ricardo Setti que nos revelou as respostas às nossas mazelas, nossas podridões psíquicas e psicológicas (pelo menos eu, com minha total liberdade de expressão, concordo com as conclusões ditas pelo autor do Blog que referencio).

São conclusões que em sua maioria nos levaram, nos levam e nos levarão a prosseguir concordando (infelizmente) com a INFELIZ frase daquele que não citarei no meu Blog, nem o nome e nem o que ele disse ou dirá. Aqui não. No meu Blog não. Aqui aquele desqualificado não tem lugar nem direito de nada. Mas que até então (e digo isso com uma tristeza profunda, mortífera e com um rancor lagrimante) sou obrigado a concordar.

Mas cabe-nos uma solução para desapontar, contradizer e desfazer o dito maquiavélico daquele verme social (...) Cabe-nos a revolta consciente. A mudança de postura. A reviravolta na história. A exigência intelectual de novos rumos nas aceitações impostas de forma tão direta e direcionada. Cabe a cada um dos integrantes das Forças Militares, num conjunto e de persi, reagir. Mudar pensamentos, palavras e ações. Alterar sentimentos, deixar de lado as acomodações e os acostumadeirismos (você não vai achar isso nos dicionários) mórbidos de que tudo está bom, tudo está bem!

Não, não está nada bem!

Nós merecemos mais. Nós precisamos de mais. Nós fazemos diferente e por isso podemos e devemos exigir tratamentos melhores e reconhecimentos à nossa altura e à altura de nossas ações.

Nossas riquezas, muito além do que esperamos conquistar pelas atrações do mundo físico e corpóreo, devem pré existir de um sentimento de valorização pessoal, de merecimento, de importância interna e acima de qualquer coisa e de tudo, EXIGIR que assim o seja.

Tenham todos a mais absoluta, real e clara certeza: à partir daí, dessas reações, dessas ações, dessas mudanças de postura e pensamentos, virá com certeza a riqueza que merecemos, que fazemos por onde. Teremos mais ainda prazer de sermos o que somos.

À partir daí iremos sim, CALAR A BOCA daquele que me recuso veementemente mencionar no meu Blog. Afinal de contas o Blog é meu (rsrs).

(*) http://veja.abril.com.br/blog/ricardo-setti/politica-cia/post-do-leitor-por-que-as-forcas-armadas-estao-assim/

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Meu primeiro Blog. Quem eu sou!

Olá grande amigo (a)

É com grande prazer e satisfação que inicio hoje, 28 de fevereiro de 2014, minhas primeiras publicações neste Blog. Em princípio terei como objetivo trazer para os visitantes todo o tipo de material atualizado sobre a vida brasileira, desde a grande paixão do nosso povo, que é o futebol, até a atualidade política do Brasil, que como todos sabem e tem acompanhado, não tem nos dado grandes alegrias.
             
Mas gostaria inicialmente de dizer sobre minha pessoa, já que muitos, como é de se esperar e isso é normal, não me conhecem. Sou Luiz Carlos de Rezende, tenho 50 anos de idade, resido em Lavras, sul das Gerais e estou no Quadro de Oficiais da Reserva da Polícia Militar de Minas Gerais - QOR - o qual faço parte desde o dia 03 de janeiro de 2011, data em que fui transferido para a inatividade, (palavrinha feia essa, mas que é a que habitualmente usamos na caserna), no posto de Tenente Coronel PM. 

Nascido em São Bento Abade em 1963, no dia 14 de abril, na terra vizinha do nosso Rei do Futebol, Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, que veio ao mundo na querida cidade de Três Corações, fui logo me mudando para a cidade de Lavras, com apenas 06 meses de vida, já que meu pai Sebastião procurava dar melhor conforto para os seus três filhos e sua amada esposa D. Maria. Assim, naquele mesmo ano ele teve a honrosa missão de envergar a Farda de Tiradentes, patrono mártir da nossa Polícia Militar de Minas Gerais - PMMG - onde ingressou como Soldado.

Criado deste então nas terras das Lavras do Funil, um dos primeiros nomes da cidade que acolheu minha família, estudei do primeiro ano de Grupo, (nome que hoje em dia foi alterado e acho que isso nem vem ao caso agora a gente discutir porque mudou, etc) na Escola Estadual Tiradentes, e ali permaneci aprendendo até me formar no antigo 3º cientifico (eta saudade danada daqueles tempinhos de Colégio Tiradentes), atualmente o nosso Ensino Médio.

Bom, claro que eu tinha que partir para a "guerra", já que saco vazio não para em pé e me sustentar apenas com as ajudas do minguado salário de pensão da minha mãe, viúva e guerreira desde o falecimento de meu pai em 1967 (outra hora vou dedicar um texto sobre ele - especialmente para ele), obviamente que não teria sentido. Então tive que me virar e meu primeiro emprego foi em 1982, quando passei a fazer parte do quadro de funcionários do renomado Hospital Vaz Monteiro, aqui em Lavras, onde atuei brilhantemente e com louvores e honrarias no posto de Recepcionista - grande cargo que me rendeu alguns trocados para poder não mais depender tanto das parcas finanças de minha querida mãezinha. Nesse ínterim, minha irma se casara em 1980 e meu irmão ingressava no ano seguinte na sempre valorosa PMMG.

Naquele meu primeiro emprego permaneci (sob duras penas e sofrendo no triste horário de 14:00 às 22:00 horas - afff) até o ano de 1983, pois que ainda em 82 resolvi fazer as provas do concurso público para ser Soldado da Polícia Militar, especificamente no quadro do Policiamento Florestal, extinto depois de alguns anos. Com muita honra fui aprovado em 1º lugar no concurso público para o Curso de Formação de Soldados (gosto de ressaltar isso, pois se não me valorizo, quem poderá fazê-lo por mim, não é verdade, já que naquela época, pouquíssima - não, pouquíssima não, NENHUMA - importância se dava para essas conquistas pessoais). 

Na Polícia Militar desde o dia 01 de fevereiro de 1983, onde ingressei nas fileiras dessa honrada Corporação de Tiradentes, nos pátios do nosso Leão do Sul, o 8º Batalhão de Polícia Militar, aqui mesmo em Lavras, como Soldado de 2ª. Classe, me formei em 11 de julho daquele mesmo ano, depois de vencer um Curso que quase me fez desistir de tudo e voltar a ser um honrado Recepcionista. Mas resisti e tomei gosto pela vida miliciana, no dia a dia com meus colegas e com os demais integrantes da PM. 

Numa "briga" amigável e frenética com um companheiro de curso, que de forma brilhante, exuberante, reluzente e fantástica, se formou no honrado posto de 2º lugar, já que o 1º, graças a Deus e aos esforços, coube a mim. Mais uma vez me valorizando, pois como disse, naquela época não se dava NENHUM valor aos seus esforços pessoais. Sequer meu nome foi lembrado durante a solenidade de formatura no pátio do Leão do Sul. Nada de homenagem, nada de prêmios, nada de reconhecimento, nada de destaque, NADA, de nada. A valorização pessoal passava longe.  

Que povinho esquisito aquele daquela época, viu. Parece até que eles não sabiam o que era disputar, dia a dia, palmo a palmo, nota a nota, o primeiro lugar de um curso. Hoje, graças a Deus, já não é mais assim e o reconhecimento e as honrarias sempre são muito bem acompanhadas de destaques para os primeiros colocados de todos os cursos na Corporação de Tiradentes das Minas Gerais.

Coincidentemente aquela data da minha formatura de Sd PM (11 de julho) é a mesma que comemora-se o aniversário do glorioso 8º BPM, cuja história, quem sabe, poderá igualmente ser alvo de um texto que poderei aqui incluir. Vamos aguardar o andar da carruagem. 

Concluído o curso e já formado, fui designado para servir o extinto Batalhão de Policiamento Florestal, hoje as Companhias Independentes de Meio Ambiente e Trânsito Rodoviário, unidades de policiamento em atividades especializadas. 

Permaneci então trabalhando em Lavras na Companhia Florestal até o ano seguinte - 1984 - quando, depois de passar em concurso interno, fui "RALAR" (o termo é esse mesmo) no Curso de Formação de Sargentos - CFS - mas não antes de seu início, ter que nos apresentar com 15 dias de antecedência para ir "rancar grama" na zona rural de Santa Luzia, para que o Campo de Futebol da Academia de Policia Militar - APM - fosse acabado e reformado com grama novinha em folha, regrada com gotas de suor dos rostos e com algumas gotas de água, provenientes de "pequenas" bolhas das mãos dos alunos do CFS. 

1984 foi um ano atípico em todos os sentidos da palavra para quem esteve em curso na APM, já que o primeiro semestre aquela unidade foi comandada por um Coronel, digamos, mais "light".

Dedicarei uma narrativa mais detalhada e delongada sobre esse ano, já que de fato foi o mais marcante.

Conforme os dias iam passando, sentíamos que de "light" não tinha era ninguém ali, pois a linha dura sempre esteve presente, se não diretamente através de seu Comandante Mor, por intermédio dos Tenentes Chefes de Curso, no caso da Turma "G", a minha e só com integrantes Soldados PM (as mais antigas eram de Cb PM), chefiada pelo bigodudo e bravo Ten Adalto. Gente fina, mas que não deixava nada passar batido e que não permitia corpo mole. Afora isso, tudo bem, com exceção dos temidos e TERRÍVEIS alunos do CFO.

Creindeuspaiavemaria!!!

Eram o "terror" em forma de gente e prosa. Eram tudo que nós, simples e humildes alunos do Curso de Formação de Sargentos mais temíamos. Nada se comparava a dois momentos no dia: a chamada matinal (07:00 h diariamente, faça chuva ou faça sol, tenha calor ou frio, esteja são ou doente) e a chamada para a liberação (essa só Deus sabia quando iria acontecer), mas a formatura para ela era geralmente por volta de 17:40 ou 17:50 horas. Esses dois momentos eram como que um "transe", um momento de "amargura", de sofrimento e dor, "psicologicamente" falando, se é que me entendem. 

Se pela manhã nossa farda e rostos eram DETALHADAMENTE inspecionados, (e inspecionados a que me refiro era no EXATO sentido estrito da palavra), pois qualquer dobrinha a mais ou a menos na farda, qualquer cabelinho saliente da barba, qualquer brilhosinho a menos no sapato ou no coturno era motivo de PANE TOTAL, TERROR e MELANCOLIA para os alunos do CFS. Pronto, seu final de dia já estava comprometido. Sua noite livre e feliz somente iria começar depois das 22:00 horas. E não adiantava falar, explicar, tentar convencer, dialogar. Estava decretada a sua DETENÇÃO até 22:00 horas e ponto final. Nada de ser ouvido, nada de justificativas, nada de defesa, nada de direitos humanos, nada de garantias constitucionais, nada de PELO AMOR DE DEUS!! Você estava DETIDO!! Simples assim. E ai daquele que, apesar da roupa exemplarmente passada e limpa, da barba muito bem feita e do sapato ou coturno lustrado a risca, MEXESSE em forma. Coitado. Tadinho. Estava perdido. Tinha aluno pra tudo quanto era lado, te vigiando, te olhando, te secando, te observando, te "filmando". Não quer ficar detido, faça tudo que mandarem (tipo, o que eu escrevi ali antes), não falte, nem chegue atrasado (um único segundo sequer) E NÃO SE MEXA na posição de sentido e nem na de descansar. Era "ferro" e pronto. Detido até as 22 horas. Seu nome já ia direto para o Xerife Geral. Eu disse DIRETO. Não adiantava argumentação ou choro.

O dia em sala de aula era o refúgio dos desesperados. A salvação contra os ataques de fiscalizações e inspeções verbais, que existiam a cada vez que você cruzasse no pátio com um aluno do CFO. Indagações constantes sobre integrantes do Estado Maior da Corporação eram as inquirições prediletas. Tinha também as perguntas relativas ao Regulamento Interno da Academia e o temido Regulamento Geral da PMMG, que de tantos artigos mais se parecia (parece ainda né, já que está em vigor) com o Código Civil Brasileiro.

Em sala tudo se passava como um mar de rosas longe dos olhos dos alunos do CFO. Aulas e mais aulas. Não conversando enquanto o professor ou instrutor ensinava estava tudo bem. Não fazendo baguncinhas que alunos costumeiramente fazem, tudo bem. Pois se isso acontecesse, podiam todos esperar. Se um ou dois saíssem dos trilhos, era o fim. A frase que mais se utilizava nessa hora: "Os justos pagam pelos pecadores". Queria saber, te juro, de onde alguém, um dia, tirou isso para ser utilizado como justificativa para deixar toda uma turma detida até as horrorosas 22 horas. Era como se estabelecesse uma guerra interna na turma. Uma guerra até 22 horas somente, pois que no dia seguinte, tudo começava de novo e conseguia-se voltar à normalidade, como se nada tivesse acontecido. A guerra acabava e a paz retornava. Até a próxima bagunça, obviamente.

Mas findavam-se as aulas e chegava o segundo momento mais temido. O horário da dispensa, que de alívio só tinha mesmo quando você já estava portão afora da APM. Antes, era travada uma luta física e psicológica para tentar não ficar detido. Agora, a luta retomava seu rumo na direção do Portão das Armas. Já não mais nos preocupávamos com a barba bem escanhoada, com a lisura dos frisos da farda e nem com o brilhantismo no lustro dos sapatos ou coturnos. A luta agora era outra para tentar preservar a sua liberdade de ir e vir diária. Tínhamos a dura missão de permanecer 15, 20 e às vezes 25 minutos na posição de sentido ou descansar, SEM NOS MEXERMOS com um só músculo do corpo. Um momento único e de completa imobilização, já que a nossa liberdade dependia da nossa postura imóvel! Ficávamos escutando, escutando e escutando os sermões monologados, ora por Oficiais da APM, ora por Alunos do último ano do CFO, nunca sozinhos, mas sempre acompanhados de inúmeros outros alunos do CFO. Eram quase que diariamente quatro ou cinco para cada turma. E isso era o fim. Éramos vigiados a todo instante. "Não se mova ou ficarás detido." Esse era nosso constante pensamento, que na verdade, não estava muito ligado nas preleções e nos monólogos tratados à nossa frente, já que nossa mente em nada mais se concentrava, a não ser na dura obrigação de nos manter imóveis. Dias difíceis.

Mas como tudo que não está indo bem tem grande tendência de piorar, concretizando de forma exata o que nos ensina a poderosíssima Lei de Murphy, finda-se o primeiro semestre e com ele a mudança de comando. Se aquilo tudo era tão estressante e malucamente irritante, assume o comando da Academia o mais temido de todos os bandidos e marginais da época em BH e Região Metropolitana. O mais categórico executor da linha dura do militarismo, o senhor dos Quarteis, o Comandante dos Comandantes: O Senhor Coronel Klinger Sobreira de Almeida. Nossos dias nunca mais foram os mesmos. A basear pelo que narrei antes, e pelo que acabo de declinar sobre a nova figura que trilharia os destinos dos alunos do CFO e do CFS, já se pode imaginar o que se sucederia nos demais dias vindouros do segundo semestre de 84.

Foram dias e noites alarmantes, estressantes, atordoantes, vigilantes, enlouquecidos. Mas que teve um toque de LIDERANÇA. Teve um “que” diferente, pois que o Cel Klinger era, de fato, "O Comandante". Pessoa de linha dura, áspera, desenvergável, mas de presença e de sabedoria, de compostura e de ensinamentos inteligentes e astutos. Tudo que fazíamos, apesar de muito mais rígido em suas execuções, eram antecipado de suas palavras, as quais nos explicava, a cada execução, o "por que" da tarefa. Não mais fazíamos por fazer. Não mais ficávamos imóveis por ficar. Tudo era, obrigatoriamente explicado. Era uma nova forma de aprendizado. Uma nova maneira de formar o Oficial e o Sargento, o qual ele considerava “O ELO DE LIGAÇÃO ENTRE O COMANDO E A TROPA”. Um líder na sua mais exata expressão da palavra. E dele, da sua pessoa, a presença era a mais marcante, pois que em tudo ele se fazia “presente”.

Até na dolorosa e mais temida rebelião de presos que já se tinha tido notícias: a da Penitenciária José Maria Alckmin, em Ribeirão das Neves/MG, onde ele se mostrou presente em todos os momentos, depois que a APM foi determinada comparecer para por fim ao conflito, já que as tentativas anteriores, com outras tropas e outras unidades, haviam se sucumbido em fracassos. Mas sob seu comando direto, depois de dois dias ininterruptos sem troca de guardas, o fim do episódio deu mostras claras, para quem esteve lá diretamente no enfrentamento dos presos rebelados, como eu e inúmeros outros companheiros, da condição de maior líder e comandante que a Policia Militar de Minas Gerais já tinha conhecido. Com pulso forte e justo, com honradez e autoridade, com bravura e inteligência, o Coronel Klinger nos ensinou a lidar em situações de crise intensa. Sua frase imortalizada em minha mente: “Bandido eu trato é no bico do meu coturno e no coice do meu fuzil.” Sua postura firme e decidida, ao se lançar sobre os presos rebelados, para mostrar a quem pertencia o poder, o comando e a autoridade, foi determinante para que se impusesse naquele presídio, o retorno da ordem e da normalidade. Esse episódio delineou definitivamente a marca inabalável de Grande Líder do Coronel Klinger.

Forjado para ser a melhor turma de Sargentos que já se tinha notícias até então na Academia, os louvores da glória se fizeram presentes no dia 30 de novembro daquele sofrido, mas vibrante, ano de 1984. Tudo caminhava bem para a tão esperada colocação das divisas de 3º Sgt PM e com a designação esperada para o retorno ao tranquilo e pacato interior das Minas Gerais, cujo sonho era voltar para o grande Leão do Sul. Mas qual não foi minha surpresa, quando ao final da formatura (logo no final, não dava para ser antes?) a notícia de minha designação para servir no hoje já extinto Batalhão de Choque. Foi como uma bomba, um banho de água gelada, um descarrilamento de um trem em alta velocidade. Ao contrário das expectativas de retorno à Lavras, a permanência em Belo Horizonte. Triste. Decepcionante.

Mas como a nossa carreira nos impõe o que nos é concebido obedecer, lá fomos nós servir no honrado e destemido Batalhão das Rebeliões, das Greves, dos Tumultos, dos policiamentos à pé em bairros e dos Eventos Especiais. O grandioso Batalhão de Polícia de Choque.

Grande temporada ali passei, com muitas alegrias e tristezas, realizações e frustrações, convivências pacíficas e outras nem tanto. Amizades verdadeiras e outras um tanto falsas. Mas como tudo tem seu tempo, dois longos anos se passaram e lá eu de volta à minha terra, não a natal, mas aquela que me acolheu como tal. Lavras, aqui estou de volta em fins de 1986, já então enamorado e noivo de minha atual esposa Adriana, com quem me casei no dia do aniversário do 8º BPM. Quem não prestou atenção nas minhas anotações anteriores, sugiro que busquem matar a curiosidade, retornando a um pedaço da leitura ao seu início. Lá encontrarás a resposta a essa curiosidade (rsrsr).

1989!! Mais um ano marcante em minha vida profissional. Iniciava o meu maior sonho na carreira – o Oficialato - um objetivo tão intenso, tão sonhado, tão visualizado, que me fez gerar e produzir uma frase que carrego comigo desde então: "Força, Honra, Garra e FÉ. Foco no objetivo e obsessão pelo resultado!" O Curso de Formação de Oficiais da PMMG, apesar de tão intenso, sofrido, doloroso, “cicatrizante” (uma hora narro essa citação), transcorreu sem muitos percalços, pois que minha experiência em Cursos, adquirida com o que fiz em 1983 e principalmente em 1984 muito me auxiliaram a desviar e evitar maiores problemas, principalmente com as questões das temidas Detenções, que apesar de já naqueles anos vivenciarmos a nova era da Constituição de 1988, ainda não usufruíamos de seus inteiros benefícios, principalmente no tocante ao respeito à dignidade humana e aos princípios basilares de ampla defesa em processos e procedimentos, principalmente quando “em forma”, na posição de sentido e descansar, ou quando um ou outro Cadete (o nome já não era mais aluno) exagerava nas travessuras normais de adolescentes, que eram a grande maioria do contingente de frequentadores da formação dos novos Oficiais da PMMG.

Especialmente o ano de 1990 marcou minha vida, pois em janeiro, precisamente no dia 26 chegava ao mundo meu menininho, meu amado e adorado primeiro filho, que acompanhou meu curso lado a lado, ombro a ombro, mesmo com sua tenra idade, já que sempre que tinha oportunidade, tinha a honra de mostrá-lo aos amigos. Grande garoto que em toda sua existência só alegrias e realizações pessoais me proporcionou. Até hoje é assim, graças ao Bom DEUS.

Minha formatura em outubro de 1991 veio acompanhada, de igual forma com a que ocorreu na de Sargentos, de uma não grata surpresa. 

Mesmo depois de ter garantido verbalmente meu retorno a Lavras, após uma visita à residência do então Chefe do Gabinete do Governador, conhecido de longas datas por ser oriundo da cidade de Lavras, a notícia antes da formatura caiu novamente como uma bomba de desânimo e decepção. Estava sendo designado para trabalhar em Pouso Alegre, sul extremo das Minas Gerais, local que desconhecia por completo e onde passei meu Aspirantado (período entre a formação do Curso de Oficiais e a promoção ao primeiro posto da PMMG, que tem a duração de seis meses, onde o Aspirante a Oficial é testado e observado, e ao final, é avaliado sobre sua condição positiva ou negativa para ser promovido à 2º Tenente PM).

Foi uma boa experiência trabalhar em Pouso Alegre, mas que não me chamou a atenção, mormente porque naquela época o Sub Comandante do 20º BPM não era pessoa das muito tratáveis, o que me fez optar para servir na hospitaleira, aconchegante e amiga cidade de Andradas. Município impar por sua gente graciosa e amiga, servi naquela comunidade com orgulho e satisfação até o ano de 1996, inclusive nela foi concebido meu segundo e amado filho, cujo nascimento ocorreu no ano de 1994 em Lavras, por circunstâncias de apoio familiar de minha esposa (apoio da sogrinha, sabe como são essas coisas, né não?). Filhão de coração grande e de uma mansidão universal.

E assim, finalmente (ufaaaaa), consegui voltar para Lavras e, ai sim, colocar meu sonho em prática. A de construir minha residência própria, cujas obras tinham sido iniciadas em 1988 e que, por decorrência de minhas transferências, estava absolutamente estagnada.

De 1996 até 2009, quando já havia passado pelos postos de 1º Tenente e Capitão PM, e assumido todas as funções de Estado Maior da Unidade, residi em Lavras, ansioso por findar minha carreira na cidade onde a havia iniciado. Uma honra acalentada por tantos anos, sonhada dia a dia, da qual o Comando da Corporação, em Janeiro de 2010 havia me tirado, me tomado, e me sucumbido de gozar essa tão gratificante homenagem pessoal a mim mesmo: findar onde tudo começou. E essa desventura feriu amargamente minha alma, já que após a promoção à Major PM, e com o detalhe de existência de 03(três) vagas na sede da 6ª Região da PM em Lavras, fui, castigadamente (considero como tal, face ao número de vagas existentes) para comandar a 17ª Companhia Independente de Meio Ambiente e Trânsito Rodoviário em Pouso Alegre, uma honra da qual gostaria de não ter sido homenageado, não pelas brilhantes pessoas que tive a oportunidade de conhecer e trabalhar junto. Elas, e tão somente elas, diretamente que trabalharam sob meu comando, foram as que me orgulharam dessa tarefa. No mais, só decepção. Mas a vida é uma caixinha de surpresas, como diz o artista.

Unidade recém inaugurada, serviu como esteio e amparo para minhas amarguras , tristezas, decepções, alegrias, realizações, contentamentos, vibrações, e porque não dizer, amores com relação à profissão PM. Tantos antagonismos se justificam, pois que de um lado pelo apoio recebido e que tive de meus comandados, mas que de outro dos superiores, posto que, além de somente cobranças e mais cobranças, mesmo sabedores de meu curtíssimo tempo ainda na ativa da PM, sequer tiveram a honradez, a lizura e a educação de me proporcionar uma solenidade de Assunção de Comando, digno de qualquer Comandante que assume uma Unidade da PMMG. “Assume lá Luiz Carlos”. Nada de solenidade, nada de nada!! Nada de ninguém me apresentar às autoridades da cidade, das quais, por questões óbvias, desconhecia por completo. Não é atoa que não fiz questão alguma de procurá-los para conhecer. Se a PMMG não me proporcionou essa honraria de Comandante, por que motivos iria eu atrás das principais personalidades locais para me apresentar? De forma alguma!

O homem precisa ter brio próprio para que não seja ofuscado quando lhe tentarem apagar a dignidade.

PMMG: Corporação que me fez passar por tantas alegrias, tantas realizações, tantas coisas boas, mas que igualmente me proporcionou decepções e descontentamentos. Assim é a vida. Me satisfaz em saber que as alegrias, realizações, contentamentos e momentos felizes foram mais intensos e em maior volume do que o contrário, já que as primeiras, por forças que sei lá de onde vem, marcam mais a alma.

Ficou e ainda permanece intactos o orgulho, o rompante altaneiro, o despojar das riquezas que aqui ninguém conseguirá encontrar, o verdadeiro sentimento do DEVER CUMPRIDO, o sentimento da realização pessoal e profissional, a certeza de que tudo, tudo e absolutamente TUDO e mais um pouco valeu MUITO A PENA.

Esse cara sou EU. 
Simples assim. 
Muito prazer!!