Olá grande amigo (a)
É com
grande prazer e satisfação que inicio hoje, 28 de fevereiro de 2014, minhas
primeiras publicações neste Blog. Em princípio terei como objetivo trazer para
os visitantes todo o tipo de material atualizado sobre a vida brasileira, desde
a grande paixão do nosso povo, que é o futebol, até a atualidade política do
Brasil, que como todos sabem e tem acompanhado, não tem nos dado grandes
alegrias.
Mas
gostaria inicialmente de dizer sobre minha pessoa, já que muitos, como é de se
esperar e isso é normal, não me conhecem. Sou Luiz Carlos de Rezende, tenho 50
anos de idade, resido em Lavras, sul das Gerais e estou no Quadro de Oficiais da Reserva da Polícia Militar de Minas Gerais - QOR - o qual faço parte desde o dia 03 de janeiro de 2011, data em que fui
transferido para a inatividade, (palavrinha feia essa, mas que é a que habitualmente usamos na
caserna), no posto de Tenente Coronel PM.
Nascido
em São Bento Abade em 1963, no dia 14 de abril, na terra vizinha do nosso Rei
do Futebol, Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, que veio ao mundo na querida
cidade de Três Corações, fui logo me mudando para a cidade de Lavras, com
apenas 06 meses de vida, já que meu pai Sebastião procurava dar melhor conforto
para os seus três filhos e sua amada esposa D. Maria. Assim, naquele mesmo ano
ele teve a honrosa missão de envergar a Farda de Tiradentes, patrono mártir da nossa Polícia Militar de Minas Gerais - PMMG - onde ingressou como Soldado.
Criado
deste então nas terras das Lavras do Funil, um dos primeiros nomes da cidade
que acolheu minha família, estudei do primeiro ano de Grupo, (nome que hoje em
dia foi alterado e acho que isso nem vem ao caso agora a gente discutir porque
mudou, etc) na Escola Estadual Tiradentes, e ali permaneci aprendendo até me
formar no antigo 3º cientifico (eta saudade danada daqueles tempinhos de
Colégio Tiradentes), atualmente o nosso Ensino Médio.
Bom,
claro que eu tinha que partir para a "guerra", já que saco vazio não
para em pé e me sustentar apenas com as ajudas do minguado salário de
pensão da minha mãe, viúva e guerreira desde o falecimento de meu pai em
1967 (outra hora vou dedicar um texto sobre ele - especialmente para ele),
obviamente que não teria sentido. Então tive que me virar e meu primeiro
emprego foi em 1982, quando passei a fazer parte do quadro de funcionários do
renomado Hospital Vaz Monteiro, aqui em Lavras, onde atuei brilhantemente
e com louvores e honrarias no posto de Recepcionista - grande cargo que me
rendeu alguns trocados para poder não mais depender tanto das parcas finanças
de minha querida mãezinha. Nesse ínterim, minha irma se casara em
1980 e meu irmão ingressava no ano seguinte na sempre valorosa PMMG.
Naquele
meu primeiro emprego permaneci (sob duras penas e sofrendo no triste horário de
14:00 às 22:00 horas - afff) até o ano de 1983, pois que ainda em 82 resolvi
fazer as provas do concurso público para ser Soldado da Polícia Militar, especificamente no
quadro do Policiamento Florestal, extinto depois de alguns anos. Com muita honra fui aprovado em 1º
lugar no concurso público para o Curso de Formação de Soldados (gosto de ressaltar isso, pois se não me valorizo, quem poderá fazê-lo
por mim, não é verdade, já que naquela época, pouquíssima - não, pouquíssima
não, NENHUMA - importância se dava para essas conquistas pessoais).
Na
Polícia Militar desde o dia 01 de fevereiro de 1983, onde ingressei nas
fileiras dessa honrada Corporação de Tiradentes, nos pátios do nosso Leão do
Sul, o 8º Batalhão de Polícia Militar, aqui mesmo em Lavras, como Soldado de
2ª. Classe, me formei em 11 de julho daquele mesmo ano, depois de vencer um
Curso que quase me fez desistir de tudo e voltar a ser um honrado Recepcionista. Mas resisti e tomei gosto pela vida miliciana, no dia a dia com
meus colegas e com os demais integrantes da PM.
Numa
"briga" amigável e frenética com um companheiro de curso, que de
forma brilhante, exuberante, reluzente e fantástica, se formou no honrado posto de 2º lugar, já que o 1º, graças a Deus e aos esforços,
coube a mim. Mais uma vez me valorizando, pois como disse, naquela época não se
dava NENHUM valor aos seus esforços pessoais. Sequer meu nome foi lembrado durante a
solenidade de formatura no pátio do Leão do Sul. Nada de homenagem, nada de
prêmios, nada de reconhecimento, nada de destaque, NADA, de nada. A valorização pessoal passava longe.
Que
povinho esquisito aquele daquela época, viu. Parece até que eles não sabiam o
que era disputar, dia a dia, palmo a palmo, nota a nota, o primeiro lugar de um
curso. Hoje, graças a Deus, já não é mais assim e o reconhecimento e as
honrarias sempre são muito bem acompanhadas de destaques para os primeiros
colocados de todos os cursos na Corporação de Tiradentes das Minas Gerais.
Coincidentemente
aquela data da minha formatura de Sd PM (11 de julho) é a mesma que comemora-se o
aniversário do glorioso 8º BPM, cuja história, quem sabe, poderá igualmente ser
alvo de um texto que poderei aqui incluir. Vamos aguardar o andar da carruagem.
Concluído
o curso e já formado, fui designado para servir o extinto Batalhão de
Policiamento Florestal, hoje as Companhias Independentes de Meio Ambiente e
Trânsito Rodoviário, unidades de policiamento em atividades especializadas.
Permaneci
então trabalhando em Lavras na Companhia Florestal até o ano seguinte - 1984 -
quando, depois de passar em concurso interno, fui "RALAR" (o termo é
esse mesmo) no Curso de Formação de Sargentos - CFS - mas não antes de seu
início, ter que nos apresentar com 15 dias de antecedência para ir "rancar
grama" na zona rural de Santa Luzia, para que o Campo de Futebol da
Academia de Policia Militar - APM - fosse acabado e reformado com grama novinha
em folha, regrada com gotas de suor dos rostos e com algumas gotas de água,
provenientes de "pequenas" bolhas das mãos dos alunos do CFS.
1984
foi um ano atípico em todos os sentidos da palavra para quem esteve em curso na
APM, já que o primeiro semestre aquela unidade foi comandada por um Coronel,
digamos, mais "light".
Dedicarei uma narrativa mais
detalhada e delongada sobre esse ano, já que de fato foi o mais marcante.
Conforme os dias iam passando,
sentíamos que de "light" não tinha era ninguém ali, pois a linha dura
sempre esteve presente, se não diretamente através de seu Comandante Mor, por
intermédio dos Tenentes Chefes de Curso, no caso da Turma "G", a
minha e só com integrantes Soldados PM (as mais antigas eram de Cb PM),
chefiada pelo bigodudo e bravo Ten Adalto. Gente fina, mas que não deixava nada
passar batido e que não permitia corpo mole. Afora isso, tudo bem,
com exceção dos temidos e TERRÍVEIS alunos do CFO.
Creindeuspaiavemaria!!!
Eram o
"terror" em forma de gente e prosa. Eram tudo que nós, simples e
humildes alunos do Curso de Formação de Sargentos mais temíamos. Nada se
comparava a dois momentos no dia: a chamada matinal (07:00 h diariamente, faça
chuva ou faça sol, tenha calor ou frio, esteja são ou doente) e a
chamada para a liberação (essa só Deus sabia quando iria acontecer), mas a
formatura para ela era geralmente por volta de 17:40 ou 17:50 horas. Esses dois
momentos eram como que um "transe", um momento de "amargura",
de sofrimento e dor, "psicologicamente" falando, se é que me
entendem.
Se pela
manhã nossa farda e rostos eram DETALHADAMENTE inspecionados, (e inspecionados
a que me refiro era no EXATO sentido estrito da palavra), pois qualquer
dobrinha a mais ou a menos na farda, qualquer cabelinho saliente da barba,
qualquer brilhosinho a menos no sapato ou no coturno era motivo de PANE TOTAL,
TERROR e MELANCOLIA para os alunos do CFS. Pronto, seu final de dia já estava
comprometido. Sua noite livre e feliz somente iria começar depois das 22:00
horas. E não adiantava falar, explicar, tentar convencer, dialogar. Estava
decretada a sua DETENÇÃO até 22:00 horas e ponto final. Nada de ser ouvido,
nada de justificativas, nada de defesa, nada de direitos humanos, nada de
garantias constitucionais, nada de PELO AMOR DE DEUS!! Você estava DETIDO!!
Simples assim. E ai daquele que, apesar da roupa exemplarmente passada e limpa,
da barba muito bem feita e do sapato ou coturno lustrado a risca, MEXESSE em
forma. Coitado. Tadinho. Estava perdido. Tinha aluno pra tudo quanto
era lado, te vigiando, te olhando, te secando, te observando, te
"filmando". Não quer ficar detido, faça tudo que mandarem (tipo, o que
eu escrevi ali antes), não falte, nem chegue atrasado (um único segundo sequer) E NÃO SE MEXA na posição de sentido e nem na de
descansar. Era "ferro" e pronto. Detido até as 22 horas. Seu nome já ia direto
para o Xerife Geral. Eu disse DIRETO. Não adiantava argumentação ou choro.
O dia em sala de aula era o
refúgio dos desesperados. A salvação contra os ataques de fiscalizações e inspeções
verbais, que existiam a cada vez que você cruzasse no pátio com um aluno do
CFO. Indagações constantes sobre integrantes do Estado Maior da Corporação eram
as inquirições prediletas. Tinha também as perguntas relativas ao Regulamento
Interno da Academia e o temido Regulamento Geral da PMMG, que de tantos artigos
mais se parecia (parece ainda né, já que está em vigor) com o Código Civil
Brasileiro.
Em sala tudo se passava como um mar de rosas longe dos olhos dos alunos do CFO. Aulas e mais aulas. Não conversando enquanto o
professor ou instrutor ensinava estava tudo bem. Não fazendo baguncinhas que alunos costumeiramente fazem, tudo
bem. Pois se isso acontecesse, podiam todos esperar. Se um ou dois saíssem dos trilhos,
era o fim. A frase que mais se utilizava nessa hora: "Os justos pagam
pelos pecadores". Queria saber, te juro, de onde alguém, um dia, tirou
isso para ser utilizado como justificativa para
deixar toda uma turma detida até as horrorosas 22 horas. Era como se
estabelecesse uma guerra interna na turma. Uma guerra até 22 horas somente,
pois que no dia seguinte, tudo começava de novo e conseguia-se voltar
à normalidade, como se nada tivesse acontecido. A guerra acabava e a paz retornava. Até a próxima bagunça, obviamente.
Mas findavam-se as aulas e
chegava o segundo momento mais temido. O horário da dispensa, que de alívio só
tinha mesmo quando você já estava portão afora da APM. Antes, era travada uma
luta física e psicológica para tentar não ficar detido. Agora, a luta retomava seu rumo na direção do Portão das Armas. Já não mais nos
preocupávamos com a barba bem escanhoada, com a lisura dos frisos da farda e
nem com o brilhantismo no lustro dos sapatos ou coturnos. A luta agora era
outra para tentar preservar a sua liberdade de ir e vir diária. Tínhamos a dura
missão de permanecer 15, 20 e às vezes 25 minutos na posição de sentido ou descansar,
SEM NOS MEXERMOS com um só músculo do corpo. Um momento único e de completa
imobilização, já que a nossa liberdade dependia da nossa postura imóvel! Ficávamos
escutando, escutando e escutando os sermões monologados, ora por Oficiais da
APM, ora por Alunos do último ano do CFO, nunca sozinhos, mas sempre
acompanhados de inúmeros outros alunos do CFO. Eram quase que diariamente quatro ou
cinco para cada turma. E isso era o fim. Éramos vigiados a todo instante. "Não
se mova ou ficarás detido." Esse era nosso constante pensamento, que na verdade,
não estava muito ligado nas preleções e nos monólogos tratados à nossa frente,
já que nossa mente em nada mais se concentrava, a não ser na dura obrigação de
nos manter imóveis. Dias difíceis.
Mas como tudo que não está indo bem tem grande tendência de piorar, concretizando de forma exata o que nos ensina a
poderosíssima Lei de Murphy, finda-se o primeiro semestre e com ele a mudança
de comando. Se aquilo tudo era tão estressante e malucamente irritante, assume
o comando da Academia o mais temido de todos os bandidos e marginais da época em BH e Região Metropolitana. O mais categórico executor da linha dura do militarismo, o senhor dos Quarteis,
o Comandante dos Comandantes: O Senhor Coronel Klinger Sobreira de Almeida. Nossos
dias nunca mais foram os mesmos. A basear pelo que narrei antes, e pelo que
acabo de declinar sobre a nova figura que trilharia os destinos dos alunos do
CFO e do CFS, já se pode imaginar o que se sucederia nos demais dias vindouros
do segundo semestre de 84.
Foram dias e noites alarmantes,
estressantes, atordoantes, vigilantes, enlouquecidos. Mas que teve um toque de
LIDERANÇA. Teve um “que” diferente, pois que o Cel Klinger era, de fato, "O Comandante". Pessoa de linha dura, áspera, desenvergável, mas de presença e de
sabedoria, de compostura e de ensinamentos inteligentes e astutos. Tudo que
fazíamos, apesar de muito mais rígido em suas execuções, eram antecipado de
suas palavras, as quais nos explicava, a cada execução, o "por que" da tarefa.
Não mais fazíamos por fazer. Não mais ficávamos imóveis por ficar. Tudo era,
obrigatoriamente explicado. Era uma nova forma de aprendizado. Uma nova maneira
de formar o Oficial e o Sargento, o qual ele considerava “O ELO DE LIGAÇÃO
ENTRE O COMANDO E A TROPA”. Um líder na sua mais exata expressão da palavra. E
dele, da sua pessoa, a presença era a mais marcante, pois que em tudo ele se
fazia “presente”.
Até na dolorosa e mais temida
rebelião de presos que já se tinha tido notícias: a da Penitenciária José Maria
Alckmin, em Ribeirão das Neves/MG, onde ele se mostrou presente em todos os
momentos, depois que a APM foi determinada comparecer para por fim ao conflito,
já que as tentativas anteriores, com outras tropas e outras unidades, haviam se sucumbido em
fracassos. Mas sob seu comando direto, depois de dois dias ininterruptos sem
troca de guardas, o fim do episódio deu mostras claras, para quem esteve lá
diretamente no enfrentamento dos presos rebelados, como eu e inúmeros outros
companheiros, da condição de maior líder e comandante que a Policia Militar de
Minas Gerais já tinha conhecido. Com pulso forte e justo, com honradez e autoridade,
com bravura e inteligência, o Coronel Klinger nos ensinou a lidar em situações
de crise intensa. Sua frase imortalizada em minha mente: “Bandido eu trato é no
bico do meu coturno e no coice do meu fuzil.” Sua postura firme e decidida, ao
se lançar sobre os presos rebelados, para mostrar a quem pertencia o poder, o comando e a
autoridade, foi determinante para que se impusesse naquele presídio, o retorno
da ordem e da normalidade. Esse episódio delineou definitivamente a marca
inabalável de Grande Líder do Coronel Klinger.
Forjado para ser a melhor turma
de Sargentos que já se tinha notícias até então na Academia, os louvores da
glória se fizeram presentes no dia 30 de novembro daquele sofrido, mas vibrante, ano de 1984. Tudo caminhava bem para a tão esperada colocação das divisas de 3º
Sgt PM e com a designação esperada para o retorno ao tranquilo e pacato
interior das Minas Gerais, cujo sonho era voltar para o grande Leão do Sul. Mas
qual não foi minha surpresa, quando ao final da formatura (logo no final, não
dava para ser antes?) a notícia de minha designação para servir no hoje já extinto
Batalhão de Choque. Foi como uma bomba, um banho de água gelada, um descarrilamento de
um trem em alta velocidade. Ao contrário das expectativas de retorno à Lavras,
a permanência em Belo Horizonte. Triste. Decepcionante.
Mas como a nossa carreira nos impõe o que nos é concebido obedecer, lá fomos nós servir no honrado e
destemido Batalhão das Rebeliões, das Greves, dos Tumultos, dos policiamentos à pé em bairros e dos Eventos
Especiais. O grandioso Batalhão de Polícia de Choque.
Grande temporada ali passei,
com muitas alegrias e tristezas, realizações e frustrações, convivências
pacíficas e outras nem tanto. Amizades verdadeiras e outras um tanto falsas.
Mas como tudo tem seu tempo, dois longos anos se passaram e lá eu de volta à
minha terra, não a natal, mas aquela que me acolheu como tal. Lavras, aqui
estou de volta em fins de 1986, já então enamorado e noivo de minha atual
esposa Adriana, com quem me casei no dia do aniversário do 8º BPM. Quem não
prestou atenção nas minhas anotações anteriores, sugiro que busquem matar a
curiosidade, retornando a um pedaço da leitura ao seu início. Lá encontrarás a
resposta a essa curiosidade (rsrsr).
1989!! Mais um ano marcante em
minha vida profissional. Iniciava o meu maior sonho na carreira – o Oficialato - um objetivo tão intenso, tão sonhado, tão visualizado, que me fez gerar e produzir uma frase que carrego comigo desde então: "Força, Honra, Garra e FÉ. Foco no objetivo e obsessão pelo resultado!" O Curso de Formação de Oficiais da PMMG, apesar de tão intenso, sofrido,
doloroso, “cicatrizante” (uma hora narro essa citação), transcorreu sem muitos percalços,
pois que minha experiência em Cursos, adquirida com o que fiz em 1983 e principalmente em 1984 muito me
auxiliaram a desviar e evitar maiores problemas, principalmente com as questões
das temidas Detenções, que apesar de já naqueles anos vivenciarmos a nova era da Constituição
de 1988, ainda não usufruíamos de seus inteiros benefícios, principalmente no
tocante ao respeito à dignidade humana e aos princípios basilares de ampla defesa
em processos e procedimentos, principalmente quando “em forma”, na posição de
sentido e descansar, ou quando um ou outro Cadete (o nome já não era mais aluno)
exagerava nas travessuras normais de adolescentes, que eram a grande maioria do
contingente de frequentadores da formação dos novos Oficiais da PMMG.
Especialmente o ano de 1990 marcou
minha vida, pois em janeiro, precisamente no dia 26 chegava ao mundo meu
menininho, meu amado e adorado primeiro filho, que acompanhou meu curso lado a
lado, ombro a ombro, mesmo com sua tenra idade, já que sempre que tinha oportunidade,
tinha a honra de mostrá-lo aos amigos. Grande garoto que em toda sua existência
só alegrias e realizações pessoais me proporcionou. Até hoje é assim, graças ao Bom DEUS.
Minha formatura em outubro de
1991 veio acompanhada, de igual forma com a que ocorreu na de Sargentos, de uma não grata
surpresa.
Mesmo depois de ter garantido verbalmente meu retorno a Lavras, após
uma visita à residência do então Chefe do Gabinete do Governador, conhecido de longas datas por ser oriundo da cidade de Lavras, a notícia
antes da formatura caiu novamente como uma bomba de desânimo e decepção. Estava
sendo designado para trabalhar em Pouso Alegre, sul extremo das Minas Gerais,
local que desconhecia por completo e onde passei meu Aspirantado (período entre
a formação do Curso de Oficiais e a promoção ao primeiro posto da PMMG, que tem
a duração de seis meses, onde o Aspirante a Oficial é testado e observado, e ao
final, é avaliado sobre sua condição positiva ou negativa para ser promovido à 2º
Tenente PM).
Foi uma boa experiência
trabalhar em Pouso Alegre, mas que não me chamou a atenção, mormente porque
naquela época o Sub Comandante do 20º BPM não era pessoa das muito tratáveis, o
que me fez optar para servir na hospitaleira, aconchegante e amiga cidade de Andradas.
Município impar por sua gente graciosa e amiga, servi naquela comunidade com orgulho
e satisfação até o ano de 1996, inclusive nela foi concebido meu segundo e amado filho,
cujo nascimento ocorreu no ano de 1994 em Lavras, por circunstâncias de apoio
familiar de minha esposa (apoio da sogrinha, sabe como são essas coisas, né
não?). Filhão de coração grande e de uma mansidão universal.
E assim, finalmente (ufaaaaa),
consegui voltar para Lavras e, ai sim, colocar meu sonho em prática. A de
construir minha residência própria, cujas obras tinham sido iniciadas em 1988 e
que, por decorrência de minhas transferências, estava absolutamente estagnada.
De 1996 até 2009, quando já havia
passado pelos postos de 1º Tenente e Capitão PM, e assumido todas as funções de
Estado Maior da Unidade, residi em Lavras, ansioso por findar minha carreira na
cidade onde a havia iniciado. Uma honra acalentada por tantos anos, sonhada dia a dia, da qual o Comando da Corporação, em
Janeiro de 2010 havia me tirado, me tomado, e me sucumbido de gozar essa tão
gratificante homenagem pessoal a mim mesmo: findar onde tudo começou. E essa
desventura feriu amargamente minha alma, já que após a promoção à Major PM, e
com o detalhe de existência de 03(três) vagas na sede da 6ª Região da PM em
Lavras, fui, castigadamente (considero como tal, face ao número de vagas
existentes) para comandar a 17ª Companhia Independente de Meio Ambiente e Trânsito
Rodoviário em Pouso Alegre, uma honra da qual gostaria de não ter sido
homenageado, não pelas brilhantes pessoas que tive a oportunidade de conhecer e
trabalhar junto. Elas, e tão somente elas, diretamente que trabalharam sob meu
comando, foram as que me orgulharam dessa tarefa. No mais, só decepção. Mas a
vida é uma caixinha de surpresas, como diz o artista.
Unidade recém inaugurada, serviu
como esteio e amparo para minhas amarguras , tristezas, decepções, alegrias,
realizações, contentamentos, vibrações, e porque não dizer, amores com relação
à profissão PM. Tantos antagonismos se justificam, pois que de um lado pelo
apoio recebido e que tive de meus comandados, mas que de outro dos superiores,
posto que, além de somente cobranças e mais cobranças, mesmo sabedores de meu
curtíssimo tempo ainda na ativa da PM, sequer tiveram a honradez, a lizura e a educação
de me proporcionar uma solenidade de Assunção de Comando, digno de qualquer
Comandante que assume uma Unidade da PMMG. “Assume lá Luiz Carlos”. Nada de
solenidade, nada de nada!! Nada de ninguém me apresentar às autoridades da
cidade, das quais, por questões óbvias, desconhecia por completo. Não é atoa
que não fiz questão alguma de procurá-los para conhecer. Se a PMMG não me
proporcionou essa honraria de Comandante, por que motivos iria eu atrás das
principais personalidades locais para me apresentar? De forma alguma!
O homem precisa ter brio
próprio para que não seja ofuscado quando lhe tentarem apagar a dignidade.
PMMG: Corporação que me fez
passar por tantas alegrias, tantas realizações, tantas coisas boas, mas que
igualmente me proporcionou decepções e descontentamentos. Assim é a vida. Me satisfaz em saber que as alegrias, realizações, contentamentos e momentos felizes foram mais intensos e em maior volume do que o contrário, já que as primeiras, por forças que sei lá de onde vem, marcam mais a alma.
Ficou e ainda permanece
intactos o orgulho, o rompante altaneiro, o despojar das riquezas que aqui ninguém
conseguirá encontrar, o verdadeiro sentimento do DEVER CUMPRIDO, o sentimento
da realização pessoal e profissional, a certeza de que tudo, tudo e
absolutamente TUDO e mais um pouco valeu MUITO A PENA.
Esse cara sou EU.
Simples assim.
Muito prazer!!
Bela história Luiz Carlos. E prazer, Choqueano. Não sabia dessa sua experiência profissional. Do colega de turma, Milagres.
ResponderExcluirOlá Milagres. Obrigado de coração por ter visitado meu Blog. Sempre que tiver um tempinho a mais, de uma navegada por aqui para acompanhar minhas publicações. De fato, minha passagem pelo então Batalhão de Policia de Choque foi marcante. CHOQUEANO uma vez, sempre!!!! Forte abraço meu amigo. Asp 91 - Um time muito unido!!!
ExcluirComandante, adorei ler sobre sua história, e tb me sinto muito honrado por ser seu amigo, sou filho de Pouso Alegre, e sobre as duas passagens que o senhor teve, uma pelo 20º BPM, servindo em Andradas, e outra pela 17ª Cia PM Ind MAT, que não era o que o Sr. queria, mais saiba que fiquei feliz por sua passagem por estas terras, porque tive o prazer de conhecê-lo, Grande pessoa.... estarei sempre acompanhando seu Blog, é como um túnel do tempo....valeu e parabéns...
ResponderExcluirObrigado amigo Dantas. Também me sinto honrado em ter servido em Pouso Alegre. Minha segunda passagem por essa bela cidade, de fato, não estava nos meus planos, pois como disse, queria encerrar minha carreira em Lavras. Mas Deus sempre sabe o que faz. Um forte abraço e agradeço que sempre venha acompanhar minhas publicações.
ExcluirEste comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirObrigado amigo. Estarei imensamente feliz se voltar a visitar meu Blog e suas novas postagens no futuro. Um forte abraço.
ResponderExcluirParabéns pelo blog.. estivemos juntos no curso de soldado (1983) e no CFS (1984). Seu relato me trouxe boas lembranças, tanto do curso de Soldado como do de sargentos.
ResponderExcluirSucessos.. Abraços
Marques
Olá, meu irmão e amigo de Cursos e Ralações. Não me esqueço jamais do momento em que fui LITERALMENTE salvo de um afogamento no nosso RANCA na serrinha, quando inadvertidamente, saltei no riacho, no lugar mais profundo, e com o peso de toda a muchila nas costas, do fuzil nas mãos, do coturno encharcado e da farda lameada e grudenta de barro seco, afundei como um cofre. Mãos abençoadas por Deus me salvou. Essas mãos tinham um dono: MILTON MARQUES DE OLIVEIRA. Você meu amigo foi meu ANJO DA GUARDA. Eternamente serei grato pela sua Santa Presença ao meu lado. E olha que foram os vários momentos em que estivemos juntos, trabalhando, ralando. Um forte e respeitosíssimo abraço. Que Deus lhe de tudo o quanto você sempre mereceu e irá merecer. Forte abraço!!!!
ExcluirAdorei seu texto Luis Carlos, sua história é tão marcante quanto a de vários conhecidos nosso. Ah! se todos soubessem quantos fôlegos e lágrimas são contidos, quanto gosto amargo é preciso diluir, quem está de fora acha que é fácil . Que seu blog seja um veículo de grandes histórias.Parabéns! Seja sempre assim, vc em todos os sentidos "doa a quem doer" rsrsrsrsrs....
ResponderExcluirObrigado, de coração. Um grande e carinhoso abraço. Valeu muito pelo apoio. Obrigado novamente!!!
ExcluirParabéns comando!!! Caveira!!!
ResponderExcluirForte abraço Marcelão. Obrigado pelo apoio!!! Caveira!!!!
ExcluirGrande Comandante,
ResponderExcluirBela história de vida. Grande abraço e saiba que deixou AMIGOS em Pouso Alegre.
Conte com a gente por aqui sempre que precisar.
Grande abraço.
Olá meu grande amigo e eterno companheiro das empreitadas da 17ª Cia PM Ind MAT. É muito bom continuar ter a certeza de que posso sempre contar com verdadeiros amigos em Pouso Alegre. Da mesma forma, me coloco à disposição de todos. Um forte e apertado abraço.
ExcluirComandante,grande lição de vida e perseverança, exemplo de como alcançar objetivos,sou testemunha presencial,das horas que ficava na seção de transportes debruçado sobre livros e cadernos.
ResponderExcluirQue Deus,continue lhe abençoando.
"Força, Honra, Garra e FÉ
Abraço.
Como vai meu grande e nobre amigo do eterno Batalhão de Polícia de CHOQUE. Verdade cara. Sempre tive que fazer isso, estudando sempre um pouquinho quando o serviço dava um tempo. Mas Deus nos recompensa por todos os nossos esforços. Obrigado pela visita e volte sempre aqui para acompanhar as publicações ok. Forte abraço.
ExcluirParabéns pelo blog, Senhor Cmt! Carreira de muita luta!
ResponderExcluirOlá Davidson, obrigado meu amigo. Muita luta sim, com fé em Deus. Volte sempre no Blog, para ver futuras publicações, ok. Forte abraço!!
Excluir